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O PAPEL DO PEDAGOGO NA CONSTRUÇÃO DA SUA COMPETÊNCIA


Por Vanessa Casaro
Diante das conjunturas que o País vem apresentando na qualidade da educação considerando principalmente conceitos de autonomia, transformação e cidadãos críticos, é importante que se faça a reflexão sobre novas competências para ensinar.
      Ser educador tem se tornando cada vez mais difícil. Considerando que a simples transmissão do saber não é mais tão aprazível. O Educador hoje deve ser mediador pedagógico criando possibilidade para que o aluno consiga acessar àquilo que necessita, além de estimulá-lo no ato de aprender. O educador deve estar munido de preparo teórico e prático e acima de tudo amar o que faz.
      Freire (1996) defende que para ser um profissional competente precisa antes de tudo entender que o ensinar não é meramente transmitir conhecimentos, e o aluno um ser passivo que os memoriza, e sim aceitar o desafio da mudança, do diferente, assumindo riscos, e tendo a consciência de que nada esta acabado, e que a curiosidade, autonomia e direito do aluno deve ser respeitado. O saber escutar é a chave para aprender a falar com eles, sempre com afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança.
      Numa sociedade onde ocorrem constantes mudanças, é indispensável ao pedagogo à atualização de suas “competências e habilidades” (PERRENOUD, 2000) para encontrar soluções necessárias ao processo de ensino aprendizagem, buscando transformar e não acomodar.
      Por mais limitações que o pedagogo passe, como falta de tempo e de materiais, quando entra em uma sala de aula tem que ter consciência de sua responsabilidade em proporcionar ao aluno um bom ensino, tem que se profissionalizar e ter profissionalismo, um complementando o outro. “O Profissionalismo requer profissionalização, e a profissionalização requer profissionalismo” (LIBÂNEO, 2001).
      O principal objetivo do pedagogo é fazer com que o aluno aprenda da melhor forma possível, sabendo lidar com conceitos, relacionando um com o outro, desenvolvendo raciocínio próprio, sabendo explicar suas idéias. Aprendendo a lidar de formas independentes com o conhecimento.
      O pedagogo não é formado por um conjunto de conteúdos cognitivos definidos, mas esta continuamente em processo de construção. Aprendendo progressivamente a dominar seu ambiente de trabalho, buscando novos caminhos para que o trabalho docente se reforce e para que seu cotidiano esteja sempre em movimento, criando sempre novas possibilidades, novos modelos de ensinar que desafiam e motivam.
Para tanto, faz-se necessário refletir sobre a construção da competência do pedagogo frente às exigências contemporâneas. O pedagogo hoje tem que ser versátil, com alternativas educacionais ousadas.
É importante lembrar que a formação universitária não é o ponto final de nenhuma profissão, ao contrario deve ser “continuum” Zeichner (1988).
Quando o pedagogo propicia para sua formação uma educação contínua, os resultados tanto para si próprio quanto para seus educando será muito mais significativo. Tendo assim, uma melhor fundamentação e conseqüentemente uma melhor habilitação diante dos desafios no dia-a-dia escolar, revendo continuamente sua formação e sua atuação no processo ensino-aprendizagem.
O pedagogo deve permanecer em reflexão constante, deve saber articular entre a teoria e a prática, e como organizador do trabalho pedagógico da escola como um todo, deve saber agir de modo dinâmico para atender as diversas demandas da realidade educativa.
De forma autônoma e criativa, não deve se prender somente a teorias, mas buscar recursos, métodos e técnicas que ampliem a sua prática, traçando informações com colegas e especialista de diversas áreas. Pois para adquirirmos novos conhecimentos precisamos estar dispostos a quebrar muros de intolerância e barreiras preconceituosas que construímos ao longo do tempo e somente ouvindo as pessoas e respeitando diferentes pontos de vista é conseguimos construir relações sólidas e verdadeiras para depois estarmos aptos a fazer o mesmo com nossos educados e sermos capazes de conduzi-los rumo à autonomia do SER, do SABER e do FAZER.
A formação continuada é, acima de tudo, um momento de reflexão acerca não somente da prática pedagógica, mas também das relações que fazemos com cotidiano em todos os setores da vida, estando em sintonia com o mundo e com as pessoas que o cerca.
O pedagogo tem que ter consciência do seu nível de competências, realizando constantemente uma autoavaliação, o que irá resultar em um grande enriquecimento na sua função enquanto educador.
Desta forma, a relação ensino-aprendizagem será de melhor qualidade, pois com essas inovações, o educador terá maior entendimento no que se refere ao ensinar buscando cada vez mais distanciar-se do tradicionalismo. Mas, toda mudança exige uma adequação, ocasionando um sacrifício, pois provoca o rompimento de hábitos. Segundo KISHIMOTO (2006), a resistência a mudança na nossa realidade escolar, é difícil, pois implica em repensar seus fundamentos e práticas educacionais. Mas, o educador perpassa a tudo isso.
Considerando isso, o educador passará a assumindo o papel de mediador, que estimula que ajuda o educando a buscar soluções para os seus conflitos cognitivos, conforme afirma a autora acima citada.
O pedagogo hoje não deve ser mais tradicionalista, mas um profissional mediador e facilitador na obtenção de conhecimentos por parte do educando, despertando a curiosidade, respeitando seus conhecimentos prévios e suas diferenças. Sendo assim, o protagonista no processo ensino-aprendizagem e também construtor do seu próprio conhecimento, resultando na assimilação ativa do saber.

Referências

CONTRERAS, J. Autonomia de professores. São Paulo: Cortez, 2002.
KISHIMOTO, T.M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 9.ed. São Paulo: Cortez, 2006.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 4. ed. Goiânia, Goiás: Alternativa, 2001.
LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e Pedagogos, para quê? São Paulo: Cortez, 1998.
LIMA, M. R. de; URBAN, A. C. Formação do professor: Os saberes necessários para seu “Saber Fazer”. In: Faculdade Sant’Ana em Revista vol.3 n.2.  Ponta Grossa: ago/dez, 2008. p...........................
PERRENOUD, P. Práticas políticas pedagógicas, profissão docente e formação. Práticas sociológicas. Lisboa: Dom Quixote, 1993.